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ARTIGO EM DESTAQUE: “Senhor perdoa-lhes por praticarem o idadismo” (ALBERTO JOÃO JARDIM, JM)

Devo a Deus, e ainda aos cuidados da família e dos Médicos que me aturam, como também a uma disciplina pessoal, quer intelectual, quer física, o ter chegado com saúde a estes oitenta e um anos.

O culto da Alegria, do bom humor e da sátira igualmente importantes, pelo que a minha gratidão a Todos que mos propiciaram.

E recuso o preconceito contra os que estão na Reforma (“en retraite”, com se diz em francês). Preconceito que hoje tem alguma força nas nossas sociedades ditas “ocidentais”. Estas, na generalidade, intelectualmente pequeno-burguesas e cada vez menos cultas, materialmente egoístas e consumistas.

O contrário do que se passa noutras civilizações actuais ou antigas. Leia-se “Devo fechar a porta?” do Professor Doutor Eduardo Paz Ferreira.

Até um deputado da “organização” Passos Coelho, na Assembleia da República, em então defesa das doutrinas (?) orçamentalistas, chegou a nos classificar de “praga grisalha”!…

Eu próprio, ainda estava na Política activa, tinha conhecimento da existência “entre muros” partidários de quem me referia como “o velho”. Hoje, o desgraçado é criatura “importante” na decadência a que se chegou.

Felizmente, nas Democracias onde Trabalhar e investigação científica são coisas levadas a sério, foi possível alcançar resultados, depois generalizadas à Humanidade, que vêm permitindo o “aumento da esperança média de vida”. Democracias a sério que, para além de incentivarem a trabalhar aqueles que podem e devem fazê-lo, desenvolveram também adequadas políticas para a Terceira Idade, estas sempre apoiadas num conceito de integração familiar o mais possível. E com outras alternativas bem conseguidas.

Cá por Portugal, Madeira incluída, a entrada no século XXI instituiu a “caça ao voto” como prioridade nacional.

O País não está preparado para enfrentar o mais previsível aumento das necessidades de Solidariedade Social para com a Terceira Idade. As verbas são para a alegria e festa dos que podem, mas não querem trabalhar. Ou para o aperfeiçoamento e estabelecimento de mais subsídio-dependências políticas das pessoas ou empresas.

Aí de nós todos se não fossem as Instituições da Igreja Católica e outras privadas de Solidariedade Social…

Queira Deus que não demorem muito, os tempos em que a Democracia porá fim aos regimes das “golpadas”. Sinal de que a Democracia sobreviveu. Embora, há dias, eu ouvira, na TV, um General afirmar que, em caso de conflito militar, no momento presente Portugal “só terá munições para dois dias”.

Ao que “isto” chegou!…

Embora haja dinheiro para “expedições” à Madeira…

Mas qual é a razão de haver gente, nas gerações mais novas do que a denominada “Terceira Idade”, que não gostam, nem querem que os mais idosos continuem a ter intervenção cívica? Seja qual a respectiva experiência de vida ou profissão…

Intervenção cívica que é um nosso Direito constitucional e, sobretudo, um Dever ético. Vivemos em Democracia, porém mesmo que assim não fosse, continuaria a ser Direito e Dever.

Mas Direito e Dever indesejados quando contrariam procedimentos que estão mal. Indesejados porque “estragam” os tais egoísmos e interesses incultos e consumistas.

Hoje, sem mo dizerem directamente, sei de quem resmungue, se irrite e até barafuste por eu ainda falar ou escrever publicamente.

Estes infelizes entendem que reformar-se é desistir, é se calar, é consentir.

Após o 25 de Abril, quando então eu tinha trinta e um anos, a conquista da Autonomia Política, hoje ainda sem o âmbito necessário que é Direito do Povo Madeirense, foi uma Revolução Tranquila participada por todas as gerações.

Não se olhava à idade deste ou daquele. Todos eram indispensáveis. E tanto, tanto, tanto que aprendi com os mais velhos com Quem tive a honra de partilhar percursos.

Fosse um Académico, fosse um Trabalhador mesmo não especializado!

Quanto Lhes devo!

Reparem.

O Desenvolvimento Integral conseguido, que não se verificou apenas a partir de 2015 como “vende” a idiotice, deveu-se e deve-se à Autonomia Política. Deveu-se e deve-se ao Povo Madeirense.

Porque a Autonomia trouxe FORÇA à Madeira e nos “colocou no mapa”, não apenas de Portugal, mas no da política europeia.

Ora, quando aparecem umas “vítimas da seleção natural” (Darwin) a boseirar que “a Autonomia não dá votos”. Os quais, com a sua mediocridade pessoal, levam a Madeira a um enfraquecimento político catastrófico fora dos nossos limites geográficos, mas no interior do território disfarçam com festas e facilitismo “à tripa força” e à custa do pouco dinheiro dos contribuintes.

Quando legitimamente consideramos isto ilegítimo.

Quando vemos um afundar do projecto construído com a convicção de ser o melhor para o Povo Madeirense.

Com que Direito exigem que nos calemos?!…

Calarmo-nos, quando vemos a fraude de “eleitos pelo Povo”, nos respectivos partidos, se ajoujarem a Lisboa, num regresso à “Madeira velha”?!…

NÃO!

Não só a Terceira Idade madeirense, tenho a certeza, não prescinde de qualquer Seu Direito de Cidadania, como, com Fé, reza uma jaculatória pelos que asneiram: “Senhor perdoa-lhes por praticarem o idadismo”.

Idadismo, termo que surgiu no final dos anos 70 do século passado, referindo o preconceito em relação à idade.

Gabriel Garcia Marquez, um Prémio Nobel, escreveu: “Não digas que deixaste de estar apaixonado porque és velho. Diz que és velho porque deixaste de estar apaixonado”.

Alberto João Jardim

FONTE: JORNAL DA MADEIRA

 

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