Hoje assinala-se o “Age Without Limits Day”, uma iniciativa que nos convida a questionar uma das formas de discriminação mais comuns e menos reconhecidas da atualidade: o “idadismo”.
Em Portugal, o envelhecimento da população é uma realidade incontornável. Vivemos mais anos, mas continuamos a conviver com estereótipos que associam a idade à dependência, à incapacidade, à resistência à mudança ou à perda de valor social. Estes preconceitos manifestam-se no acesso ao emprego, nos cuidados de saúde, nos meios de comunicação, nas políticas públicas e até nas relações do dia a dia.
O idadismo não afeta apenas as pessoas mais velhas, afeta toda a sociedade, limita oportunidades, compromete a saúde e o bem-estar, enfraquece a participação cívica e contribui para o isolamento social. Mais do que uma questão de respeito, trata-se de uma questão de direitos humanos, de cidadania e de desenvolvimento sustentável.
Apesar da crescente evidência científica sobre os impactos do idadismo, Portugal continua sem uma estratégia nacional específica para a sua prevenção e combate. É tempo de reconhecer que este fenómeno exige uma resposta estruturada, transversal e sustentada.
Por isso, defendemos:
– A criação de uma Estratégia Nacional de Combate ao Idadismo, envolvendo os setores da saúde, educação, trabalho, ação social, cultura e comunicação social;
– A integração da temática do idadismo nas políticas públicas dirigidas a todas as gerações;
– O desenvolvimento de programas educativos que promovam relações intergeracionais e desconstruam preconceitos desde a infância;
– A capacitação de profissionais dos setores público e privado para reconhecer e combater práticas discriminatórias baseadas na idade;
– A criação de um Observatório Nacional do Idadismo, responsável pela monitorização do fenómeno, recolha de dados, promoção de investigação, emissão de recomendações e avaliação das políticas implementadas.
Não podemos combater aquilo que não medimos. Atualmente, Portugal não dispõe de mecanismos sistemáticos de monitorização do idadismo, o que dificulta a compreensão da sua verdadeira dimensão e impacto.
Neste “Age Without Limits Day”, o desafio é simples: questionar. Questionar expressões, atitudes e decisões que tomamos como normais. Questionar porque razão continuamos a associar a idade a limites. Questionar porque é que uma sociedade que envelhece continua a valorizar tão pouco a experiência, a diversidade e a contribuição das pessoas em todas as fases da vida.
Uma sociedade verdadeiramente inclusiva não é apenas aquela que aceita a diversidade de género, origem ou condição. É também aquela que respeita e valoriza todas as idades.
Portugal precisa de uma Estratégia Nacional de Combate ao Idadismo. Portugal precisa de um Observatório do Idadismo. Portugal precisa de começar hoje.
José Carreira – Presidente da Associação Stop Idadismo
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