Artigos

Estudio sobre la vinculación entre el edadismo y la soledad

O idadismo constitui uma forma de discriminação baseada na idade, assente em estereótipos, preconceitos e práticas discriminatórias que colocam as pessoas em situação de desvantagem em função da sua idade, afetando de forma particularmente significativa as pessoas idosas (Butler, 1969).

Trata-se de um fenómeno complexo e multidimensional, que se manifesta aos níveis individual, interpessoal, institucional e estrutural, influenciando atitudes, comportamentos, relações sociais e políticas públicas (Organização Mundial da Saúde [OMS], 2021).

No contexto europeu e português, o idadismo encontra-se amplamente disseminado e socialmente normalizado, expressando-se em diversos domínios, designadamente no mercado de trabalho, nos cuidados de saúde, na proteção social e na participação cívica. Estas manifestações assentam frequentemente em representações estereotipadas da longevidade, comprometendo a autonomia, a dignidade, a participação social e a qualidade de vida das pessoas idosas.

A evidência científica demonstra que o idadismo não condiciona apenas a forma como a sociedade perceciona a longevidade, produzindo igualmente impactos significativos na saúde física e mental, na participação social e no exercício pleno dos direitos humanos. Em particular, os processos de idadismo internalizado, descritos pela teoria da incorporação dos estereótipos (Levy, 2009), encontram-se associados a uma menor iniciativa social, ao retraimento relacional, à diminuição da autoestima e ao aumento da vulnerabilidade psicossocial, criando condições favoráveis ao desenvolvimento da solidão indesejada.

Paralelamente, diversos estudos empíricos identificam uma associação consistente entre a discriminação em função da idade e níveis mais elevados de solidão, mesmo após o controlo de variáveis sociodemográficas, económicas e de saúde, reforçando o reconhecimento do idadismo enquanto determinante social relevante da saúde e do bem-estar.

Em Portugal, esta problemática assume uma relevância acrescida num contexto marcado pelo acelerado envelhecimento demográfico, pelo aumento da esperança média de vida e pela crescente prevalência da solidão indesejada entre as pessoas idosas, sobretudo nas que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social. Fatores como a fragilidade das redes de suporte, a redução das relações sociais significativas, a exclusão social ou a expectativa de tratamento discriminatório contribuem para processos de isolamento, retraimento e autoexclusão, originando um ciclo de reforço mútuo entre idadismo e solidão.

Neste contexto, as organizações da economia social assumem um papel determinante na prevenção e mitigação destes fenómenos. Através de programas de acompanhamento baseados na construção de relações significativas, na participação comunitária e no voluntariado, entidades como a Associação Grandes Amigos desenvolvem intervenções que procuram reduzir a solidão indesejada e, simultaneamente, combater o idadismo nas suas múltiplas dimensões. Estas iniciativas promovem relações intergeracionais e comunitárias mais inclusivas, contribuem para a desconstrução de estereótipos negativos associados à longevidade, reforçam o sentimento de pertença e favorecem a criação de comunidades mais coesas e inclusivas. A experiência acumulada por estas organizações demonstra igualmente que a solidão não deve ser entendida exclusivamente como uma condição individual, mas antes como o resultado de processos sociais, culturais e estruturais que exigem respostas integradas e multidisciplinares.

É neste enquadramento que se insere o presente projeto, o qual responde à necessidade de aprofundar o conhecimento sobre a relação entre o idadismo e a solidão indesejada, bem como de conferir maior visibilidade a um fenómeno que, apesar da sua elevada prevalência e impacto social, continua a revelar reduzido reconhecimento ao nível das políticas públicas e do debate social.

Conforme evidenciam a literatura científica e a experiência das organizações da sociedade civil, a solidão na longevidade não pode ser compreendida apenas numa perspetiva assistencial ou relacional, exigindo igualmente a análise dos determinantes sociais que lhe estão subjacentes, entre os quais se destaca a discriminação em função da idade. Apesar dos avanços registados nesta área, permanece escassa a produção de conhecimento qualitativo que permita compreender de forma aprofundada como o idadismo é vivido pelas pessoas idosas ao longo das suas trajetórias de vida, de que modo é internalizado e quais os mecanismos através dos quais influencia os processos de retraimento social, isolamento e exclusão.

Neste sentido, o presente projeto propõe a realização de um estudo qualitativo baseado na metodologia das histórias de vida, com o objetivo de identificar os mecanismos através dos quais o idadismo contribui para a experiência da solidão indesejada, bem como os fatores de risco e de proteção que condicionam essa relação. Para além da produção de evidência científica, esta abordagem pretende valorizar as narrativas das próprias pessoas idosas, reconhecendo-as como sujeitos ativos de conhecimento e protagonistas das suas experiências de vida. Deste modo, procura-se contribuir para a desconstrução de narrativas estereotipadas sobre a longevidade, promovendo uma compreensão mais abrangente dos impactos do idadismo e apoiando a formulação de políticas públicas e de intervenções sociais mais eficazes, inclusivas e baseadas na evidência.

Para aceder ao estudo, clique aqui…

125 views
cool good eh love2 cute confused notgood numb disgusting fail