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ETARISMO NO MERCADO DE TRABALHO: RESPOSTAS POSITIVAS PARA PERGUNTAS NEM TANTO…

Quando o assunto é Etarismo há muitas perguntas ainda sem resposta. Principalmente, no mundo corporativo. Como há empresas que ainda não acordaram para a potência dos 50+ e do encontro de gerações? Por que descartar profissionais cheios de experiência e gás, em processos de seleção, simplesmente pela idade? E as marcas que insistem em ignorar esse imenso mercado que consome, agita e quer se sentir representado? Ainda é difícil responder a tudo. Mas este artigo, em formato de perguntas e respostas, vai tentar jogar luz sobre algumas questões.

1) QUAL O NOME CERTO? “ETARISMO, IDADISMO OU AGEISMO”?

O termo é derivado da tradução de Ageism, que tem como base a palavra Age (idade, em inglês) e os estudos de Robert Butler. Em 1969, o geriatra e psiquiatra americano observou que estereótipos associados à idade desencadeiam práticas discriminatórias semelhantes ao racismo e ao machismo. No Brasil, a palavra foi aportuguesada e virou “Ageismo”. A mais comum, no entanto, é “Etarismo” – referente às faixas etárias. Mas nos últimos tempos, a expressão “Idadismo” vem ganhando força. É a que escolhi usar por ser a mais autoexplicativa. Todas querem dizer a mesma coisa: preconceito baseado na data de nascimento. Nenhuma delas é a correta, porque não há nada certo em nenhum preconceito.

2) POR QUE O IDADISMO SE MANIFESTA MAIS, ATUALMENTE, NO MERCADO DE TRABALHO?

A longevidade maior está proporcionando a maior convivência intergeracional. Nunca na história houve cinco gerações ao mesmo tempo no mercado. Gente de 18 trabalhando ao lado de gente com mais de 70. Essa superposição de perfis tão diferentes pode significar alguns conflitos, mas também muitas oportunidades de troca. Só que para aproveitá-las é preciso romper nossas próprias “bolhas”. Se a garotada é multitarefas e tem domínio tecnológico, os mais velhos têm mais resiliência, paciência para resolver problemas e, frequentemente, inteligência emocional mais apurada. Olha que mistura potente de saberes e habilidades! É o que eu chamo de Inteligência Intergeracional!

“Não tem essa de que o jovem não tem nada a ensinar e o maduro nada mais a aprender. Não existe o ‘sabe-tudo’, em nenhuma idade.”

 

3) MUITAS EMPRESAS ACREDITAM QUE O ÁPICE DA FORÇA DE TRABALHO ACONTECE ENTRE 30/35 ANOS. COMO ESTEREÓTIPOS ESTÃO ATRAPALHANDO A EMPREGABILIDADE DE UMA GERAÇÃO SÊNIOR APTA AO MERCADO?

 Ainda há um véu espesso atrapalhando a visão e a escuta dessa questão no mundo corporativo. Por que considerar um profissional com conhecimento acumulado e experiência, obsoleto? Às vezes, basta um treinamento em novas ferramentas. Muitos estão no auge da sua atividade e trazem habilidades que levam tempo para serem construídas, como inteligência emocional, adaptabilidade, resiliência. Todas muito perseguidas pelas empresas hoje. Processos de seleção – tanto para entrada na corporação, quanto para promoções – precisam que ser revistos. Linhas de corte aos 40 anos (às vezes, menos) deixam de fora candidatos às vagas com potenciais riquíssimos. É saudável e lucrativo promover mentorias entre jovens e maduros. E segundo dados de plataformas como Labora e Maturi, especializadas no desenvolvimento e recolocação dos 50+, profissionais mais velhos faltam menos ao trabalho e têm mais comprometimento com a empresa. Organizações que se queixam de grande rotatividade na mão de obra devem pensar nisso.

“O profissional mais velho tem mais experiências, mais erros em que se basear, mais repertório para reconhecer crises e sair delas. Ele tem que se valer desse “patrimônio” para propor soluções de problemas e não deve nunca se fechar ao novo. Aí incluído o letramento digital, sim.

“Quer brincar,

tem que descer pro play!”

Não dá para ficar fugindo.

O conhecimento de ferramentas de tecnologia é necessário e não tem motivo para causar medo.”

4) EXISTEM ATRIBUTOS FUNDAMENTAIS PARA UM PROFISSIONAL SE MANTER COMPETITIVO?

O primeiro atributo é a atualização, mas não só para os maduros. Profissionais de qualquer idade têm que se atualizar permanentemente, estar por dentro das novidades da sua área, estudar sempre. É importante ter uma busca ativa por novos conhecimentos, frequentar cursos e palestras, trocar com outras pessoas, pesquisar no Google, ler! O lifelong learning, ou aprendizado pra vida toda, é um lema para todos. Ele leva ao segundo atributo, que é o poder de adaptação. Nós aprendemos e usamos tecnologia pra tudo hoje: nos comunicar, pagar contas, fazer compras. E, claro, para trabalhar. O mercado atual valoriza muito as chamadas softkills e os maduros são em quem elas aparecem mais fortes. Habilidades socioemocionais como resiliência, empatia, inteligência emocional não são exclusividade dos maduros, mas levam um tempo para se desenvolver.

“A tranquilidade, o conhecimento, experiência e segurança para se fazer o que se sabe e o que se gosta dão vigor aos sêniores.”

 5) MUITAS MARCAS E EMPRESAS SE APRESENTAM COM AS BANDEIRAS DA DIVERSIDADE, EQUIDADE E INCLUSÃO. MAS A MAIORIA NÃO INCLUI A “CARA” MAIS VELHA.

Somos um batalhão de quase 55 milhões de brasileiros com mais de 50 anos, movimentamos 1,8 trilhão de reais por ano. E somos invisíveis. O tamanho desse mercado consumidor, da chamada Economia Prateada, em referência aos cabelos grisalhos, deveria ser o suficiente para despertar marcas de produtos e serviços. Só que não. Tirando algumas iniciativas aqui e ali, geralmente na indústria de cosméticos, hoje são os próprios consumidores que estão fazendo barulho. Não estão se vendo, não se sentem representados, e começam a questionar o mercado sobre o valor do dinheiro deles e delas (principalmente delas, porque são as mulheres quem mais têm puxado esse movimento contra o idadismo) na hora da compra. “Quer que eu compre? Então, tenho que me ver”.

6) O ETARISMO, ASSIM COMO O RACISMO E O MACHISMO, É UM PRECONCEITO ESTRUTURAL?

Sim! O idadismo, ou preconceito etário, é totalmente estrutural. Ele vem de um tempo em que as pessoas não viviam tanto e continuou se reproduzindo até hoje. Para se ter uma ideia, a expectativa de vida em 1970 era de 57 anos, em média. Ou seja, naquela época, uma pessoa 50+ já estava aposentada e praticamente vivendo sua última década. Por causa dessa introjeção do conceito de “velhice”, há um consenso entre os pesquisadores de que o preconceito etário é o mais universal e inconsciente de todos. Quando se naturaliza que a pessoa mais velha não tem atributos de mais jovens ou perde o lugar de fala porque não é do “tempo” dela…Todo preconceito é baseado em pré-conceitos.

É preciso tornar conscientes e romper esses conceitos pré-concebidos e ultrapassados, como o de que os 50+ não são tecnológicos ou são menos criativos. Não! Nós usamos a tecnologia diariamente no cotidiano, aprendemos, e, convenhamos, criatividade não tem idade!

Marcia Monteiro

LinkedIn Creator, Chefe de Redação do Globo Repórter, Fundadora da Geração Ilimitada®️Estudos e Palestras, Pesquisadora de tendências da Longevidade e da Diversidade Geracional
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