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Papa Francisco incentiva diálogo entre gerações e a valorização dos mais velhos

“Não os deixemos sozinhos; é preciosa a sua presença nas famílias e nas comunidades. São os idosos que nos transmitem a pertença ao santo Povo de Deus. A Igreja e de igual modo a sociedade, precisam deles. Os idosos entregam ao presente um passado necessário para construir o futuro. Não permitamos que sejam descartados”, refere o Santo Padre na mensagem para o III Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, que a Igreja celebra este ano no dia 23 de julho.

O tema deste ano – De geração em geração, a sua misericórdia -” liga-se ao da JMJ – Jornada Mundial da Juventude: “Maria levantou-se e partiu apressadamente”, relevando o encontro entre a jovem Maria e a sua prima idosa, Isabel.

Francisco deixa claras as vantagens deste encontro de gerações, em que os mais novos e os mais velhos podem beneficiar da experiência, da sabedoria e do conhecimento uns dos outros, sem que a idade seja uma limitação.

“O Senhor espera que os jovens, ao encontrar os idosos, acolham o apelo a guardar as memórias e reconheçam, graças a elas, o dom de pertencerem a uma história maior. A amizade de uma pessoa idosa ajuda o jovem a não cingir a vida ao presente e a lembrar-se que nem tudo depende das suas capacidades. Por sua vez, aos idosos, a presença de um jovem traz a esperança de que não se perderá tudo aquilo que viveram e vão realizar-se os seus sonhos”, sublinha o Papa na Mensagem para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos de 2023.

A seis semanas do início da JMJ, em que também deverá marcar presença apesar dos problemas de saúde, Francisco convida os jovens a visitarem os seus avós ou um idoso sozinho, antes de partirem. “A sua oração proteger-vos-á e levareis no coração a bênção daquele encontro”.

“Deus quer que os jovens, como fez Maria com Isabel, alegrem os corações dos idosos e extraiam sabedoria das suas experiências. Mas o primeiro desejo do Senhor é que não os deixemos sozinhos, que não os abandonemos à margem da vida, como hoje, infelizmente, acontece com demasiada frequência”.

O abandono, os maus-tratos, discriminação dos mais velhos e defesa do diálogo intergerações são temas que o Papa Francisco tem abordado sistematicamente desde o início do seu pontificado, em 2013. E muitas vezes com palavras ou expressões que têm como propósito chocar e abanar as consciências. Foi o que aconteceu em 2014 quando o Pontífice classificou o abandono de pessoas idosas como uma “eutanásia disfarçada”.

Mais tarde, Francisco instituiu a celebração do Dia Mundial dos Avós e Idosos no quarto domingo de julho, o mais próximo do Dia de S. Joaquim e Santa Ana, avós de Jesus, que se assinala a 26 de julho.

No I Dia Mundial, em 2021, Francisco sublinhou que “os avós e os idosos não são sobras da vida, desperdícios para deitar fora; são preciosos pedaços de pão deixados na mesa da nossa vida, que ainda nos podem nutrir com uma fragância que perdemos, a fragância da memória”.

O ano passado, o Papa criticou o “descarte” e aqueles que veem “a velhice como uma espécie de doença, com a qual é melhor evitar qualquer contacto”. Lembrou que os mais velhos – como ele próprio – ainda têm uma missão a desempenhar na Igreja e na sociedade. “Não é um acaso que a guerra tenha voltado à Europa no momento em que está a desaparecer a geração que a viveu no século passado”, alertou.

Este ano, aproveitando a Jornada Mundial da Juventude, o apelo de Francisco vai para os jovens, também eles tantas vezes discriminados pela sua pouca idade. O Papa quer lembrar-lhes que têm muito a ganhar, a todos os níveis, por usufruírem da companhia dos seus avós e dos mais velhos; que podem aprender muito com eles e também lhes podem facultar conhecimentos inovadores. Que a construção do futuro se faz com as boas e más aprendizagens feitas no passado. E que já no presente, esse conhecimento tem de ser aproveitado.

A sociedade tem de ser de todas as idades e como Francisco já referiu, “envelhecer não é apenas a deterioração natural do corpo ou a passagem inevitável do tempo, mas também o dom de uma vida longa. Envelhecer não é uma condenação, é uma bênção”.

Coincidência ou não, a mensagem do Papa para o Dia Mundial dos Avós e dos Idosos foi divulgada no Dia Internacional da Consciencialização sobre o Abuso e Maus-tratos na Velhice, dia 15 de junho. A discriminação em função da idade – o idadismo – também é uma forma de violência. Francisco é uma voz impossível de calar para tornar visíveis os abusos que muitas pessoas mais velhas sofrem em todo o mundo e de diversas formas. E é preciso que muitos a ouçam e sigam o exemplo para que os idosos tenham uma vida digna, até ao fim.

 

FOTO: Vaticano News

 

Ana Carrilho – Jornalista

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