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A GUERRA ENTRE GERAÇÕES NÃO FAZ SENTIDO, É ALGO DESTRUTIVO

De tempos a tempos, há laivos de nós os coitadinhos e eles os carrascos. O diabo está sempre nos outros. Recordo, sem saudades, e com a esperança de que esse discurso não regresse, a guerra entre gerações, mais ou menos surda, que surgiu, a partir de 2008, na europa, aquando da crise económica originada pela “bolha imobiliária” nos EUA (subprime), que teve o seu ponto mais alto na falência do Lehman Brothers.

Foi iniciado um discurso que antagonizava os jovens e os mais velhos. Chegou mesmo a cunhar-se a expressão “peste grisalha”. Nos estados unidos, responsáveis governamentais chegaram a afirmar que, para salvar a economia, as pessoas mais velhas não se importariam de morrer e deixarem de ser um “fardo” para a comunidade.

José Pacheco Pereira assinou, no Público (12/11/2022), o artigo Mais uma vez a «peste grisalha» – uma “justiça” que é uma injustiça” dando o alerta para putativos caminhos perigosos que pudessem estar a ser iniciados.

Fiquei incomodado com o artigo da economista Laura Müller Machado, na Folha de São Paulo, “Orçamento público dos idosos é 6 vezes o da juventude”. Não fica clara a proposta da autora, quanto à solução a encontrar. Quererá emagrecer o orçamento disponível para as pessoas mais velhas? O orçamento existente é suficiente e já garante o bem-estar de todas as pessoas com mais de 60 anos no Brasil? Não fará mais sentido, ao invés de apontar as baterias para os recursos (certamente, ainda, serão insuficientes) disponibilizados à população mais envelhecida, encontrar soluções que permitam desenhar e implementar políticas públicas que garantam o acesso à educação e ao mercado de trabalho? Creio que o foco deverá estar em possibilitar que cada jovem possa ativar o seu elevador social, de modo a mitigar a desigualdade e cultivar a paz social de um país inclusivo e promotor da harmonia entre gerações.

 

JOSÉ CARREIRA
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