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Combater o idadismo contra os jovens

Um recente estudo da Fundação José Neves indicava que o salário médio de um profissional com licenciatura correspondia, em 2011, a 1570 euros, enquanto, em 2022, representava uma remuneração de 1359 euros. Ou seja, houve uma clara desvalorização salarial dos licenciados entre 2011 e 2022, circunstância que prejudica sobretudo os jovens, que sofreram a maior quebra nos vencimentos da última década: 17%.

Esta quebra acontece numa altura em que se verifica um forte aumento do custo de vida, devido à subida da inflação, e em que o país vive uma crise de habitação, que penaliza em particular os jovens. Isto significa que os jovens enfrentam hoje maiores constrangimentos para fazerem face às despesas quotidianas, para atingirem a estabilidade financeira e para se sentirem valorizados profissionalmente.

A desvalorização das qualificações superiores e as dificuldades de acesso e realização profissional e de valorização salarial dos jovens acarretam graves consequências económicas e sociais. Desde logo, a emigração de jovens qualificados – tendência que representa um desperdício dos recursos públicos investidos na educação e agrava a falta de capital humano nas empresas, reforça o problema da produtividade e acelera o envelhecimento populacional, entre outros efeitos.
Muito se tem falado de idadismo em Portugal, mas sobretudo para denunciar o preconceito de que são alvo as pessoas idosas. Ora, é preciso não esquecer que o idadismo afeta igualmente os jovens, que são vítimas de discriminação pelas empresas/instituições. O mercado de trabalho, os centros de decisão e a hierarquia das empresas/instituições tendem a privilegiar os profissionais entre os 30 e os 40 anos, considerados mais criativos, inovadores e experientes. Torna-se, por isso, difícil a integração e realização profissional dos jovens.

As empresas/instituições devem estar conscientes das vantagens de integrar profissionais de diferentes faixas etárias, de modo a tirar partido da pluralidade de perfis sociais, comportamentais e culturais que cada geração representa. No caso dos jovens, a sua presença nas empresas/instituições pode significar importantes ganhos de produtividade e eficiência, de competências digitais, de sensibilidade ambiental, de capacidade de inovação e de espírito crítico. Convém, pois, que haja maior diversidade intergeracional nas empresas/instituições e que os jovens tenham acesso aos centros de decisão em igualdade de circunstâncias.

Presidente da ANJE – Associação Nacional de Jovens Empresários

 

FONTE: Dinheiro Vivo

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