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IDADISMO: PORTUGAL AINDA NÃO MEDE O PROBLEMA

Portugal continua sem validar a escala internacional da Organização Mundial da Saúde, comprometendo a resposta a um problema que afeta a saúde pública, a coesão social e a efetivação dos direitos das pessoas idosas. Sem medir o idadismo, Portugal continuará a falhar na resposta a um problema com custos políticos, sociais e humanos que exigem ação imediata.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, 1 em cada 2 pessoas no mundo tem atitudes idadistas, o que demonstra a dimensão estrutural deste problema e a urgência de respostas baseadas em evidência. A HelpAge International Espanha, através do seu Observatório de Idadismo, apresentou o relatório “Idadismo em Espanha: Análise do Impacto de acordo com a Escala de Idadismo da Organização Mundial da Saúde”. O estudo foi desenvolvido em colaboração com a Organização Mundial da Saúde e a Universidade de Edimburgo, com financiamento do Instituto de Mayores e Servicios Sociales (Imserso). O relatório representa um marco na investigação sobre discriminação etária na Europa. Permite uma mensuração rigorosa e padronizada do idadismo, com base na escala desenvolvida pela OMS. Espanha torna-se, assim, o primeiro país europeu a validar este instrumento, já anteriormente testado em países como a Moldávia, Líbia, Líbano e Colômbia. Não podemos deixar que Portugal fique para trás. É fundamental que o país avance para a validação desta escala. Só assim será possível produzir conhecimento robusto e comparável, essencial para o desenho de políticas públicas eficazes e ajustadas ao contexto nacional. Portugal tem hoje condições para iniciar este processo, nomeadamente através da criação do Observatório do Idadismo, promovido pela Associação Stop Idadismo. A sua concretização deverá assentar num modelo colaborativo, envolvendo financiamento público, parcerias académicas e eventual enquadramento em programas europeus, garantindo escala, rigor científico e sustentabilidade. O idadismo não se resolve apenas com a mudança de atitudes individuais, exige uma intervenção estrutural, uma vez que estamos perante um problema de direitos humanos e de saúde pública, que deve ser tratado com a mesma seriedade, urgência e compromisso que outras formas de discriminação. Os dados do relatório espanhol são claros: o idadismo existe, não se tratando de casos isolados, é transversal e afeta pessoas em diferentes contextos sociais, manifestando-se, sobretudo, ao nível institucional, na legislação, nas políticas públicas e nos meios de comunicação social

Persistem abordagens que tratam as pessoas idosas como um grupo homogéneo, ignorando a sua diversidade e potencial. Esta visão redutora tem impacto em áreas críticas como a saúde, as pensões, a habitação e o apoio social. Ao mesmo tempo, os media continuam frequentemente a reforçar estereótipos de fragilidade, dependência e isolamento. O impacto do idadismo vai mais longe, afeta, diretamente, a saúde e o bem-estar, com consequências clínicas, psicológicas e sociais. Incide de forma mais intensa sobre pessoas em situação de maior vulnerabilidade: idade mais avançada, presença de incapacidade, perda de autonomia, menor estatuto socioeconómico ou isolamento social.

O idadismo permanece invisível, normalizado, insidioso, silencioso…

Começar por medir este fenómeno, que afeta a forma como as pessoas pensam, sentem e atuam em relação à idade, é um passo de gigante para que seja definida uma estratégia nacional de combate ao idadismo.

José Carreira – Presidente da Associação Stop Idadismo

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