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NOTA DE REPÚDIO – Podcast “Entradas de Peso” – Episódio #36 “Velhice” por JARC e Airton, no âmbito do canal AZORICA – Azorean Dream

 

NOTA DE REPÚDIO

 

Uma Resposta ao Podcast “Entradas de Peso” Episódio #36 “Velhice” por JARC e Airton, no âmbito do canal AZORICA – Azorean Dream

30 de abril de 2026

A Associação Stop Idadismo vem por este meio manifestar o mais veemente repúdio ao conteúdo difundido no Episódio #36 do podcast Entradas de Peso, intitulado “Velhice” (Coisas de Velhos, Namoros, Cruzeiros, Demência), produzido e apresentado por JARC e Airton, no âmbito do canal AZORICA – Azorean Dream, disponível no YouTube, Spotify e Apple Podcasts, com apoio de patrocinadores identificados publicamente, nomeadamente a Mega Loja Borja Reis e a rubrica PIII-CANTE by CHURREX.

O referido episódio, com 46 minutos, inclui declarações que configuram, de forma inequívoca, manifestações de Idadismo, uma forma de discriminação baseada na idade, reconhecida pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e amplamente documentada na literatura científica, que ofendem a dignidade das pessoas mais velhas, perpetuam estereótipos negativos e contribuem para a sua marginalização e exclusão social.

O Idadismo define-se como processo sistemático e discriminação de pessoas com base na sua idade.

O episódio em causa revela, de forma consistente e reiterada, múltiplos padrões de Idadismo reconhecidos, nomeadamente:

  1. Desumanização e ridicularização da pessoa idosa: Afirmações como “se é para andar à porrada que seja com um velho, acho que consigo ganhar”, reduzem as pessoas idosas a alvos fisicamente vulneráveis, objeto de humor violento. Este tipo de representação reforça a perceção das pessoas idosas como seres diminuídos e incapazes, contribuindo para a sua invisibilidade social.

 

  1. Negação da sexualidade e intimidade na velhice: Declarações como “a partir dos 60, acaba” (referindo-se à vida amorosa e sexual). A OMS reconhece a sexualidade como componente integral da saúde ao longo de todo o ciclo de vida.

 

  1. Estigmatização da demência: A sugestão de criar um “podcast de velhos com Alzheimer” onde “repetiam os temas” e onde “metiam um timer para ver quantas vezes repetiam” é particularmente grave. A doença de Alzheimer afeta cerca de 160.000 portugueses. A sua utilização como recurso cómico normaliza a estigmatização das pessoas com demência e dos seus cuidadores, sendo condenada por organizações internacionais de saúde como a Alzheimer’s Disease International.
  2. Estereótipos sobre a inatividade e inutilidade social: Imagens como “ficam de braços cruzados a ver uma escavadora” ou “sentam-se nos bancos da praça a ver os carros passar”, apresentadas como caracterização da vida das pessoas idosas, reproduzem o estereótipo da inatividade e inutilidade social.
  3. Infantilização e objetificação nos contextos de cuidado: Referências aos lares de idosos como espaços de conquista sexual – “sacas uma velha, ainda por cima se já for viúva” – combinam Idadismo com sexismo e tratam as pessoas idosas como objetos desprovidos de autonomia e dignidade. Esta representação é particularmente nociva.

Importa sublinhar que o episódio em causa conta com o apoio explícito de patrocinadores comerciais, nomeadamente a Mega Loja Borja Reis, que cedeu o mobiliário do cenário, e a rubrica PIII-CANTE by CHURREX. Ao associarem a sua imagem a conteúdos que promovem estereótipos discriminatórios contra pessoas idosas, estas entidades assumem uma corresponsabilidade que não pode ser ignorada.

Em causa estão direitos fundamentais da pessoa idosa reconhecidos no artª 4º da Lei 7/2026 – Estatuto da Pessoa Idosa, em vigor desde março de 2025 sobre a “Proteção da Integridade e combate à violência”: 1 – A pessoa idosa deve ser protegida contra qualquer forma de negligência, discriminação, violência, opressão ou abandono. 3 – (…) Considera-se violência contra a pessoa idosa qualquer ação ou omissão, única ou repetida, intencional ou não, cometida contra uma pessoa idosa e que atente contra a vida, integridade física, psíquica, sexual, segurança econômica ou liberdade ou que comprometa o desenvolvimento da sua personalidade. 4 – A violência contra a pessoa idosa é punida nos termos da lei penal.

Perante o exposto, exigimos:

  • A remoção do Episódio #36 de todas as plataformas de distribuição (YouTube, Spotify, Apple Podcasts);
  • Um pedido de desculpa público, claro e inequívoco, por parte dos apresentadores JARC e Airton e do canal AZORICA – Azorean Dream;
  • O compromisso público de não reincidência em conteúdos que ridicularizam, estereotipam ou desumanizam qualquer grupo com base na sua idade ou condição de saúde;
  • A tomada de posição pública dos patrocinadores relativamente ao conteúdo do episódio em causa.

 

A Associação Stop Idadismo nasceu há cinco anos (30 de abril d 2021) com o objetivo de combater os estereótipos (como pensamos), os preconceitos (como nos sentimos) e a discriminação (como agimos) direcionados às pessoas com base na idade que têm.

Os nossos objetivos são aumentar a consciencialização sobre a natureza, o impacto e os fatores  determinantes do Idadismo, dirigidos tanto aos mais jovens como às pessoas idosas; chamar a  atenção para a necessidade de prevenir o Idadismo; promover e proteger a plena efetivação dos  direitos humanos para todas as pessoas; e apresentar estratégias de intervenção eficazes,  alertando para a necessidade urgente de serem adotadas medidas por parte dos governos, da  sociedade civil, do setor privado e dos indivíduos de todas as idades.

A Associação Stop Idadismo não normalizará o preconceito etário, independentemente do formato em que este se apresente, incluindo o do entretenimento.

Pela Direção da Associação Stop Idadismo
José Carreira

Para mais informações: www.stopidadismo.pt | info@stopidadismo.pt

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