O livro La gouvernance par l’âge : un mal français?, da socióloga Anne-Marie Guillemard, revela um fenómeno tão poderoso quanto invisível: a governação pela idade, isto é, a lógica que distribui direitos, deveres, estatutos e lugares sociais em função da idade civil, em vez de considerar as capacidades, as necessidades, os percursos ou as escolhas dos indivíduos.
Demonstra que este modo de governação constitui um dos pilares da produção do idadismo: não apenas um conjunto de preconceitos associados ao envelhecimento, mas um verdadeiro sistema de discriminação baseado na idade, comparável, nos seus efeitos, ao racismo ou ao sexismo.
O idadismo surge, assim, como uma estrutura inscrita no coração das políticas públicas, nomeadamente em França, que organizam a vida das pessoas com base em limiares etários rígidos. Através de uma comparação internacional, França, Japão e Europa, a obra evidencia ainda um contraste decisivo:
alguns países conseguiram transformar o aumento da longevidade numa verdadeira mais-valia social, enquanto outros, entre os quais a França, continuam a encará-lo sobretudo como um problema a gerir.
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